quarta-feira, 28 de outubro de 2009

CIÊNCIA E CIENTIFICIDADE RELIGIOSA


Por Ederson da Silva dos Reis

CIÊNCIA E CIENTIFICIDADE RELIGIOSA

“A ciência é uma religião?” de Richard Dawkins Fonte: Ateus.net


O autor Richard Dawkins aborda criticamente, no texto em apreciação, o conflito entre ciência e religião, chegando afirmar que a fé, sendo uma crença desprovida de provas ou evidências, é o vicio principal de qualquer religião.
Nesse sentido, para o autor, a ciência está ou sempre esteve alienada da dita religião. Embora, na seqüência textual, reconheça a existência de algumas virtudes religiosas no arcabouço científico. Desta maneira, é perceptível o paradoxo entre a situação da ciência ladeada a religião. Pois, é trivial que a ciência mesmo sendo baseada em experimento ou evidências verificáveis, trás em seu bojo traços religiosos, sem os quais não poderia explicar os fenômenos que aconteceram e acontecem no decorrer da história não somente bíblica, mas geral.
Destarte, em momento único, o autor caracteriza a religião pelos diversos benefícios proporcionados àquele que a segue, a saber, explicação, consolação e encantamento. Porém, diz que a ciência, considerando o apetite do ser humano por explicações, atua de forma similar nas suas investigações e análises.
Contudo, objetivando solapar a “cientificidade religiosa”, o autor rotula a religião, baseado nos benefícios conferidos à mesma, como sendo uma má ciência, que, historicamente, tenta responder a perguntas que, segundo o autor, pertencem propriamente à ciência. Fato interessante é que a dita ciência interfere, na mesma proporção senão maior do que a religião, em muitas das questões exclusivas do estudo religioso.
Após alguns parágrafos, o autor passa a elucubrar sobre a educação religiosa aplicada nas escolas e o lugar que a ciência poderia ocupar nela. Apresenta um abuso mental sofrido pelas crianças, proveniente do domínio da religião sobre a cultura, que ao invés de fomentar discussão, aguçando o senso critico de cada aluno, impõe drasticamente princípios e valores que irão norteá-las para sempre. Em contrapartida, a ciência estabelece valores normativos que possibilitam a ação, o julgamento e o pensamento dos fatos. Infelizmente, é visível a inversão de conceitos da parte do autor, que barganha princípios que são únicos e exclusivos da religião atrelados a cientificidade.
Por fim, apresenta as discrepâncias entre ambas, que se justifica pela defesa de uma crença baseada apenas na tradição, autoridade ou na revelação, o que segundo ele, faz a religião ou um segmento religioso. Ovacionando assim a ciência por recorrer à evidência e a lógica, desconsiderando os “mitos” esposados pelos religiosos.
Não é tarde lembrar que alicerçar uma teoria requer do teorizador fundamentos que comprovem a veracidade dos fatos. Partindo desse pressuposto o texto ora resenhado é um “absurdo literário”, pois o autor tenta, inutilmente, apoiar uma teoria que não considera a religião como ciência, apesar da existência de provas que apóiam a verossimilhança dos dados apresentados pelos cientistas. E ainda desconsidera a inserção religiosa no âmbito da ciência.

Um comentário:

Ismael Batista disse...

Dawkins e absurdo é quase um pleonasmo. Não querendo desmerecer todo os seus escritos, pois não há quem esteja 100% errado, contudo, seu ódio a religião - o que consigo facilmente enxergar - o lança na insensatez. Não é de hoje que acompanho os textos do referido cientista, e suas disparidades são gritantes no que tange a filosofia e teologia.

Ótima resenha!