segunda-feira, 5 de outubro de 2009

ANÁLISE: 95 TESES LUTERANAS E A BULA EXSURGE DOMINE

Em 1517, um monge chamado Martinho Lutero, contrário há alguns dos ensinamentos esposados pela Igreja Católica, afixa suas 95 teses á porta da Igreja do Castelo de Wittemberg, colimando mormente suprimir o nefando comércio das indulgências papais.
Por conseguinte, os lideres da Igreja Católica irritaram-se de tal maneira que envidaram esforços a fim de tolher os intentos do jovem monge e simultaneamente preservar a unidade da dita “Santa Igreja”.
Destarte, em resposta a exposição doutrinária luterana, o Sumo Pontífice Leão X promulga em 15 de junho de 1520 a Bula Exsurge Domine. Nesta o Papa Leão X perlustra a sublevação de Lutero contra os ensinamentos dos santos pontífices do Catolicismo Romano, também chamados de Predecessores. Este acusa ferrenhamente Martinho Lutero de ter disseminado heresias que colocaram em xeque a ditosa paz entre os fiéis da Igreja.
Após minudenciar as 95 teses de Lutero concatenadas à Bula Exsurge Domine, torna-se evidente que, por trás do cenário funesto da reforma protestante arrazoado por muitos, não houve uma animosidade ininterrupta entre as partes envolvidas.
A afirmativa supra se justifica por algumas das teses formuladas pelo próprio Lutero, em que elucida a razão de haver adotado tal postura, unicamente por amor a verdade e pelo afã de trazê-la à luz, ou seja, ao conhecimento do povo. E que em nenhum momento estava colocando em dúvida o poderio que fora conferido ao Papa, nem muito menos estava incentivando os fiéis a serem insubmissos as autoridades eclesiásticas, conforme subscreve nas seguintes teses:

7. Deus não redime a culpa daqueles que não se submeterem humildemente ao sacerdote.
25. O mesmo poder que o Papa tem sobre o purgatório em toda a Igreja, cada bispo o tem em particular na sua diocese e cada cura na sua paróquia.
61. Porque está claro que para a remissão das penalidades e dos casos reservados, basta o poder do Papa.

Outrossim, Martinho Lutero não anulava a prática das penas canônicas, apenas discordava com a aplicação destas aos mortos, e ainda como forma de alcançar contrição por um pecado cometido.

1. Nosso Mestre, o Senhor Jesus Cristo, quando disse: “fazei penitência”, quis afirmar que toda a vida dos crentes fosse de arrependimento.
2. Esta palavra não pode ser interpretada como penitência sacramental, isto é, a confissão e a satisfação que administram os sacerdotes.
3. Todavia, não significa somente arrependimento interior; não, pois não há arrependimento interior que não se manifeste no exterior em diversas mortificações da carne.
4. A penalidade do pecado, por conseguinte, continua, enquanto durar o aborrecimento de si mesmo; porque este é o verdadeiro arrependimento interior, e continua até nossa entrada no reino dos Céus.
8. Os cânones penitenciais somente podem ser aplicados aos vivos e não aos mortos.
12. Antigamente as penas canônicas eram colocadas antes da absolvição como prova da verdadeira contrição.

Não é tarde lembrar que Lutero não era, sob nenhuma circunstância, contrário as indulgências papais e ao purgatório, mas sim com a imposição e comercialização destas, sendo apresentadas como garantia de salvação, o que vergonhosamente tornava os fiéis da Europa muito pobres, tanto financeira como moral e espiritualmente. O que segundo o monge estava fora dos princípios normativos estabelecidos nas Sagradas Escrituras.

16. Inferno, purgatório e céu parecem diferir da mesma forma que o desespero, o semidesespero e a segurança.
24. Por isso, a maior parte do povo está sendo necessariamente ludibriada por essa magnífica e indistinta promessa de absolvição da pena.
28. Certo é que, ao tilintar a moeda na caixa, podem aumentar o lucro e a cobiça; a intercessão da Igreja, porém, depende apenas da vontade de Deus.
32. Serão condenados em eternidade, juntamente com seus mestres, aqueles que se julgam seguros de sua salvação através de carta de indulgência.
37. Qualquer cristão verdadeiro, seja vivo, seja morto, tem participação em todos os bens de Cristo e da Igreja, por dádiva de Deus, mesmo sem carta de indulgência.
43. Deve-se ensinar aos cristãos que, dando ao pobre ou emprestando ao necessitado, procedem melhor do que se comprassem indulgências.
49. Deve-se ensinar aos cristãos que as indulgências do papa são úteis se não depositam sua confiança nelas, porém, extremamente prejudiciais se perdem o temor de Deus por causa delas.
71. Seja excomungado e maldito quem falar contra a verdade das indulgências apostólicas.
74. Muito mais deseja fulminar aqueles que, a pretexto das indulgências, procuram defraudar a santa caridade e verdade.

É digno de nota, a inocência de Martinho Lutero no que diz respeito a participação papal na venda das indulgências, e de suas incríveis extorsões, abusos e exigências. Inacreditável?

42. Deve-se ensinar aos cristãos que não é pensamento do papa que a compra de indulgências possa, de alguma forma, ser comparada com as obras de misericórdia.
48. Deve-se ensinar aos cristãos que, ao conceder indulgências, o papa, assim como mais necessita, da mesma forma mais deseja uma oração devota a seu favor do que o dinheiro que se está pronto a pagar.
51. Deve-se ensinar aos cristãos que o papa estaria disposto - como é seu dever - a dar do seu dinheiro àqueles muitos de quem alguns pregadores de indulgências extraem ardilosamente o dinheiro, mesmo que para isto fosse necessário vender a Basílica de S. Pedro.
91. Se, portanto, as indulgências fossem pregadas em conformidade com o espírito e a opinião do papa, todas essas objeções poderiam ser facilmente respondidas e nem mesmo teriam surgido.

Não obstante, Martinho Lutero ter convergido em alguns pontos, os lideres da Igreja Católica não o isentaram da punição máxima que poderia sofrer um monge herege, a saber, a excomunhão. Embora, amiúde Lutero ter recebido ultimato a se retratar diante da Cúria Romana, retrocedendo de tais erros. Entretanto, como já se era esperado pelo denodado monge, este não esboçou nenhum sintoma de arrependimento pelo que havia feito.
Sendo assim, por meio da Bula Exsurge Domine, a Igreja Católica se posicionou em relação ao protesto luterano que estava altercando entre o povo, após o ultimato, condenando e excomungando o monge Martinho Lutero. E proibindo terminantemente a todos os fiéis de ambos os sexos, de ler, sustentar, pregar, louvar, imprimir, publicar ou defender qualquer uma das 95 teses. Porém, esta lhe deu uma oportunidade de voltar, desde que ele se afastasse de seus erros perniciosos.
Entrementes, após a homologação da referida Bula pela Igreja Católica, desencadeou-se o maior momento sem precedentes na história da Igreja Cristã, a saber, a Reforma Protestante, que teve, é claro, Martinho Lutero como um de seus protagonistas. Tal reforma fora marcada trazendo a tona os erros papais e redescobrindo os princípios cristãos, proporcionando ao povo o conhecimento das Sagradas Escrituras, que até então estavam no domínio papal.


FONTES BIBLIOGRÁFICAS:
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PAPA, Leão X. Apostolado Veritatis Splendor: EXSURGE DOMINE. Disponível em http://www.veritatis.com.br
VASCONCELOS, José. Guia Básico do Obreiro. 4ª edição. Rio de Janeiro: CPAD 2003
Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, 2ª Ed.

3 comentários:

Anônimo disse...

gostei, paragens pela postagem, o assunto precisa ser fomentado, não se pode valorizar o presente se não se tiver conhecimento do preço que custou, é isto está registrado no passa, e certa vez ouvi de um grande pregador e mesmtre que não coonstrói o futuro sem a conexão com o passado.

parabens tambemo pela harmonia da página, muito legal mesmo.]]

parabens.

Pastoragente disse...

Graça e paz!
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Já estou te seguindo e aos poucos venho conhecer mais os seus textos.
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