segunda-feira, 27 de julho de 2009

DESABAFO: INTERAÇÃO SOCIAL NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM

Por Ederson da Silva dos Reis

Todo ser humano, independente de possíveis imperfeições físicas, emocionais e mentais, possui dentro de si uma força inigualável, capaz de mobilizar forças inimagináveis que iram lhe auxiliar a superar os percalços da vida.
Estamos acostumados a receber o saber de outros, pois nossos pais e professores nos ensinaram as leis que regem o mundo segundo a nossa ótica, porém esqueceram que cada ser humano pode ter uma visão diferente sobre as mesmas vertentes.
Nesse âmbito educacional, as interações sociais estão ligadas as normas que ajudam solidificar de forma estável as modalidades que possibilita o funcionamento das comunicações, os processos de intervenção de serviço no desempenho de participação dos alunos e inclusive nas metas de manifestar suas opiniões, que através das mesmas podem arrazoar as suas avaliações e sentimentos.
Convém salientar, que na relação pedagógica, a responsabilidade do professor é única e exclusivamente ensinar. Essa intenção de instruir obriga o professor a uma estratégia ativa, o obriga a buscar a interação e a construir uma relação, a mais positiva possível, mesmo com alunos que o decepcionam, o incomodam ou simplesmente com os quais ele sente não ter qualquer afinidade. Por isso, o professor deve tentar diminuir a distância existente entre ele e os seus alunos. Haja vista, que essa distância é provocada por um emaranhado de mal-entendidos, de rejeições, dos juízos de valor, dos rótulos desqualificados, ou seja, das diferenças não aceitas, tornando assim a comunicação difícil.
A distância entre o professor e o aluno irá se enraizar no juízo de menosprezo do professor sobre o valor escolar e, sobretudo sobre o comportamento de certas pessoas. Pois se sabe que os interesses vitais de um professor estão em jogo quando um ou vários alunos opõem-se a ele e transgridem as regras de conduta, chegando assim a comprometer sua autoridade e a sua profissão. Um aluno do ensino médio, por exemplo, pode entrar regularmente em conflito com seu professor, o qual ele encontra de forma alternada por semana.
Alguns desvios que colocam em jogo os interesses vitais do professor, ora por desorganizar diretamente o funcionamento da classe e/ou da aula, ora por enfraquecer a autoridade do professor com precedentes “banais”, tais como: ausência freqüente e injustificada; atrasos reiterados; agressão, violência física na sala ou no prédio escolar; recusa em fazer um trabalho; de obedecer a uma ordem, sobretudo quando a recusa for evidente e representar um desafio à autoridade visível do professor; uso de palavras de baixo calão; grosseria deliberada; agressão verbal da parte dos alunos; difamação; mentiras comprometedoras; falsificação de assinaturas; discriminação racial ou até mesmo sexual caracterizada. A lista não é limitativa. Pois tais transgressões são intoleráveis para a maioria dos professores, porque os atinge pessoalmente em seus conceituados valores e interesses, ou porque admitir esse tipo de comportamento ou por que não dizer, essa falta de educação, pareceria uma falha profissional. É claro que o limite de tolerância varia muito e pode pairar durante o dia ou a semana no mesmo professor em função de seu humor, de seu cansaço e de sua atividade.
A essas normas desprovidas de positividade convém acrescentar uma série de condutas valorizadas, cuja ausência não constitui propriamente um desvio, mas cuja manifestação agrada o professor e faz com que o aluno receba estímulos e elogios: autonomia; capacidade de organizar; eficácia; coleguismo; altruísmo; disponibilidade para servir e ajudar seus colegas; atitude ativa e participativa nos trabalhos; capacidade de assumir responsabilidades e cumprir com a palavra; boa integração; assiduidade; concentração, etc.
Vale ressaltar, que há um tipo de avaliação, que é denominada de avaliação formal, na qual o professor revela o que pensa a respeito das competências intelectuais de um aluno, bem como de sua vontade, de seu desejo de aprender, de sua capacidade de organizar seu trabalho e levá-lo a sério, de sua honestidade, de sua criatividade e de sua habilidade.
Para uma criança e/ou adolescente é difícil ter uma relação positiva com alguém que a julga superior em todos esses parâmetros, sobretudo quando seu juízo é desfavorável, alguém que sanciona seus erros e falhas, que a expõe as recriminações, a vexames públicos, que a ameaça com um fracasso, que se queixa aos seus pais.
Em contrapartida, não é fácil para o professor ter uma atitude positiva com relação a uma criança e/ou adolescente que não tem ciência de nada e que, além disso, não se esforça para aprender, assumindo assim o papel de mau aluno. Não há condições para se construir uma relação interpessoal baseada na estima mútua e na afeição recíproca. Pois em todos os meandros educacionais, sabe-se que essa é uma condição para o sucesso da ação educativa. A diferenciação do professor e de suas relações com os seus alunos talvez possa ser explicada mais pela diversidade de suas condutas e maneiras de ser do eu pela desigualdade de suas competências escolares e capacidade de aprendizagem.
A dependência excessiva evita que os alunos possam expor seus conflitos, sem poder discutir o significado das relações, que através destes fatores podem desencadear um fenômeno de estrutura, indicando assim um descompasso mais profundo das diferenças entre as normas do sistema escolar e os valores dos alunos.
Seria importante analisar os efeitos de condições de dependência e caracterizar o comportamento, questionando se o mesmo é instrumental ou efetivo.
Os mecanismos de identificação estão relacionados nos modelos institucionais e até mesmo em tais modelos pode surgir comportamentos e estados de dependência diferente.
Na relação professor e aluno, o professor que deseja introduzir outros tipos de comportamentos deve tomar conhecimento como esta o procedimento de seus atos. De forma natural e comum, na medida em que a insegurança e a ansiedade do professor diminuírem, a relação do mesmo com os seus alunos irá aparecer.
Quanto à forma agressiva e irreverente do aluno que flui na sua personalidade pode ser traduzida pelos conflitos das relações escolares, sendo assim, essa irreverência seria um mecanismo de defesa usado pelo aluno. Pois quando o aluno se acha inseguro, mobilizado pelo próprio contexto escolar, quando o professor encontra dificuldade em liderar, ele (aluno) interpreta isso como uma ameaças direta.
No processo de ensino e aprendizagem, o aluno deve estar influenciado na dinâmica das relações escolares e no processo de adaptação.
Portanto, é necessária uma consciência maior dos professores e escolas, no sentido de estarem preparando um novo homem que deve esta cada vez mais capaz de realizar seus sonhos, ser mais feliz e viver em harmonia com os demais seres com os quais convive. 

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